"O infinito num junco"

“O Infinito num Junco”, de Irene Vallejo (Bertrand, 2020) 456 pág. 


Um ensaio sobre literatura, com mais de 400 páginas, de uma autora desconhecida, tornou-se no maior fenómeno de vendas em Espanha no ano passado. Nem o editor esperaria vir a negociar direitos de tradução com mais de 20 países, nem a autora alguma vez imaginou que o sucesso pudesse bater-lhe à porta com um livro deste género. 


A filóloga Irene Vallejo, que até agora se havia dedicado sobretudo à literatura infantil, ainda não sabe explicar o que aconteceu. “Estava convencida de que este livro era o menos comercial que tinha escrito”, disse, em entrevista ao Público. “Em nenhum momento pensei que uma obra sobre livros e sobre o mundo antigo, Grécia e Roma, pudesse interessar a tanta gente. Parece misterioso. Eu acreditava que as minhas paixões eram mais solitárias.”


Talvez o segredo esteja na fluidez da escrita, sem os espartilhos da academia, e na forma escolhida para contar a História destes objetos de desejo, desde a Antiguidade. "Lê-se como um livro de aventuras", disse um jornalista espanhol – basta ler as primeiras páginas, e viajar com os guerreiros que corriam mundo em busca dos mais preciosos livros para a Biblioteca de Alexandria, para concordar com ele.


Além disso, depressa percebemos que também nós fazemos parte da história. Do junco do papiro ao ecrã de luz, o livro evoluiu a par da nossa própria evolução – guardando a memória do que fomos e moldando o que somos. 







Irene Vallejo (Saragoça, 1979). Fotografia de Santiago Basallo

Críticas


«Vallejo decidiu, sabiamente, libertar-se do estilo académico e optou pela voz do contista, a História entendida não como lista de documentos citados mas como fábula. Para o leitor comum e ávido (de que Virginia Woolf falava) este ensaio encantador torna-se mais comovente e mais cativante por se assumir como uma homenagem ao livro, por parte de uma leitora apaixonada.»

Alberto Manguel, Babelia, El País


«Os livros que nos desbravam, que nos domesticam, que nos impõem o seu ritmo de leitura, que nos dão cabo dos nervos, não se encontram facilmente entre as novidades nas livrarias e contudo são tão necessários. A mais recente destas descobertas que fiz intitula-se O infinito num Junco e é de Irene Vallejo.»

Juan José Millás, El País

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